PARASHÁ

NOACH

נח

Noé

Gênesis 6:9 - 11:32

1: Gn 6:9 – 6:22

2: Gn 7:1 – 7:16

3: Gn 7:17 – 8:14

4: Gn 8:15 – 9:7

5: Gn 9:8 – 9:17

6: Gn 9:18 – 10:32

7: Gn 11:1 – 11:32

Estudo

Haftará: Isaías 54:1-10

Brit Chadashá: I Pedro 3:18-22

Mishná Yoma: 

Segundas e Quintas:

10 p’sukim
10 p’sukim
18 p’sukim

RESUMO

Parashá Noach

Gênesis 6:9-11:32

Por que D’us mandou Noach construir uma arca (teivah, em hebraico), se podia salvá-lo de outro jeito? Rashi, o comentarista francês do século XI, responde com um número: 120 anos. Durante esse tempo, a geração do dilúvio via Noach trabalhar na obra e podia perguntar para que servia. A resposta de Noach era o aviso: o Santo, bendito seja, está para trazer um dilúvio sobre o mundo. Perguntar e ouvir era a chance de voltar atrás (Rashi em Bereshit 6:14, com base em Sanhedrin 108b).

A arca foi, ao mesmo tempo, abrigo e mensagem. Gênesis 6:9 apresenta Noach como “homem justo, íntegro em suas gerações; Noach andou com D’us”, e a porção inteira conta o que esse andar produziu.

O que acontece na porção

Noach é a segunda das 54 porções semanais da Torá (Gênesis 6:9 a 11:32). A estrutura:

  • A corrupção e a ordem da arca (6:9 a 6:22): a terra “se corrompeu diante de D’us e se encheu de violência” (6:11). D’us diz a Noach que vai pôr fim a toda carne e manda fazer uma arca de madeira de gofer, com compartimentos, calafetada por dentro e por fora com betume (6:14). Noach faz “tudo o que D’us lhe ordenou” (6:22).
  • O dilúvio (7:1 a 8:14): Noach entra na arca com a família e os animais. “No ano seiscentos da vida de Noach, no segundo mês, no dia dezessete do mês”, as fontes do grande abismo se rompem e as janelas do céu se abrem (7:11), e a chuva cai por 40 dias e 40 noites (7:12). A arca repousa nos montes de Ararat no sétimo mês, no dia dezessete (8:4). Depois, Noach solta o corvo e a pomba para ver se a terra secou (8:6-12).
  • A saída e a aliança (8:15 a 9:17): Noach constrói um altar e oferece holocaustos (8:20). D’us decide nunca mais destruir a terra (8:21-22) e abençoa Noach e seus filhos: “frutificai e multiplicai-vos” (9:1), a proibição de comer carne com o seu sangue (9:4) e “quem derramar sangue humano, pelo homem seu sangue será derramado, porque à imagem de D’us o homem foi feito” (9:6). O arco nas nuvens é o sinal da aliança (9:12-13).
  • Os filhos de Noach e as nações (9:18 a 10:32): Noach planta uma vinha, embriaga-se, e a cena com Cham termina na maldição de Canaan e na bênção de Shem e Yafet (9:20-27). A Tabela das Nações (capítulo 10) lista os povos que saem dos três filhos.
  • Babel e a linhagem de Avram (11:1 a 11:32): “toda a terra tinha uma só língua” (11:1), e os homens constroem uma cidade e uma torre “para fazer um nome” (11:4). D’us confunde a língua e os dispersa (11:8-9). A porção termina na linhagem de Shem até Terach, que gera Avram (Abraão) aos 70 anos (11:26), sai de Ur dos caldeus rumo a Canaã e se estabelece em Haran, onde morre aos 205 anos (11:31-32).

Noach não traz mitsvá (mandamento) nova na contagem das 613 do Sefer HaChinuch, obra clássica que numera e explica os mandamentos. A que reaparece na porção é Peru Urevu, “frutificai e multiplicai-vos” (9:1 e 9:7), a primeira mitsvá da contagem (Bereshit 1:28). O artigo Peru Urevu: o Primeiro Mandamento da Torá e Para Quem Foi Dado trata dela por inteiro.

Quando no calendário

Noach é lida no segundo Shabat do ciclo anual, uma semana depois de Bereshit, na primeira semana de Cheshvan, o mês que não tem festa. Em 2026, Bereshit foi lida em 10 de outubro e Noach em 17 de outubro (6 de Cheshvan de 5787).

A Haftará (leitura dos Profetas) é Isaías 54:1-55:5 no rito asquenazita e Isaías 54:1-10 no sefaradita. O versículo 54:9 retoma a porção: “Isto é para mim como as águas de Noach: assim como jurei que as águas de Noach nunca mais inundariam a terra, assim juro que não me irarei contra ti”. A leitura da Brit Chadashá (Novo Testamento) que a sinagoga associa à porção é I Pedro 3:18-22, que lembra a arca e as poucas pessoas salvas pela água.

Guia de estudo

Leitura direta do texto (Pshat): Rashi lê “em suas gerações” de duas formas. Para uns, é elogio: Noach foi justo mesmo naquela geração, e numa geração de justos teria sido ainda maior. Para outros, é crítica: foi justo em comparação com a sua geração, e na de Avraham não teria importância (Rashi em Bereshit 6:9, com base em Sanhedrin 108a). Sobre “andou com D’us”, Rashi nota a diferença para Avraham, de quem a Torá diz que andou “diante de” D’us (24:40): Noach precisava do apoio de D’us para se manter justo, Avraham extraiu a sua força de si mesmo (Bereshit Rabá 30:10).

Interpretação dos Sábios (Drash): o Talmud ensina que a geração do dilúvio violou todos os preceitos, mas a sentença só foi selada quando estenderam a mão ao roubo, como diz o texto: “a terra está cheia de violência por causa deles” (6:13), segundo Rabi Yochanan em Sanhedrin 108a. E Pirkei Avot (Ética dos Pais) 5:2 conta dez gerações de Noach a Avraham “para dar a conhecer a longanimidade de D’us”, porque todas elas o provocaram até que Avraham veio e recebeu a recompensa de todas.

Chassidut: Rabi Levi Yitzchak de Berditchev, em Kedushat Levi, abre seu comentário a Bereshit 6:9 com a distinção entre dois tipos de justo. O primeiro serve a D’us com entusiasmo, mas como indivíduo, sem procurar aproximar os afastados. O segundo serve e também reconduz os pecadores ao Criador. Avraham é o exemplo do segundo tipo, e a pergunta que a porção deixa é o que fazer com os 120 anos de uma obra à vista de todos.

Mussar (tradição de refinamento de caráter e ética prática): dois clássicos do gênero citam Noach, cada um por um lado da porção. Em Mesillat Yesharim (O Caminho dos Justos, do Ramchal, Rabi Moshe Chaim Luzzatto), capítulo 11, sobre a limpeza (nekiyut) das mãos, o autor mostra a gravidade do roubo mesmo em quantia pequena, “o valor de uma peruta” (a menor moeda), e lembra o ensino de Sanhedrin 108a: a geração do dilúvio só teve a sentença selada por causa do roubo (11:22). Em Orchot Tzaddikim (Caminhos dos Justos, obra clássica de ética), capítulo 14, sobre a inveja, vem o outro lado da arca: Avraham pergunta a Malki-Tzedek, identificado com Shem, filho de Noach (Nedarim 32b), como eles saíram vivos da arca. A resposta é “pela caridade que fizemos ali”. Sem pobres a bordo, a caridade foi com os animais: Noach e os filhos não dormiram, alimentando todas as criaturas durante a noite (14:19, com base no Midrash Shochar Tov). A porção deixa então duas perguntas de exame: o que tomo do outro sem perceber, e a quem estou dando de comer enquanto a tempestade dura.

Fechando o círculo

A Brit Chadashá volta a Noach em duas direções. Yeshua compara “os dias de Noach” ao tempo que precede a sua vinda, quando as pessoas comiam, bebiam e casavam sem perceber o que vinha (Mateus 24:37-39 e Lucas 17:26-27). E a primeira carta de Pedro (3:18-22) vê na arca um abrigo pela água. A sinagoga lê os dois textos ao lado da porção: a arca como aviso e como refúgio.

Quem chega a Noach com a pergunta de como manter a fé quando o ambiente inteiro anda para outro lado encontra um homem que construiu, à vista de todos, aquilo que D’us mandou.

Continue essa jornada

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Midrashim

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