PARASHÁ

REEH

רְאֵ֗ה

Veja

Deuteronômio 11:26 - 16:17

1: Dt 11:26 – 12:10

2: Dt 12:11-28

3: Dt 12:29 – 13:19

4: Dt 14:1-21

5: Dt 14:22-29

6: Dt 15:1-18

7: Dt 15:9 – 16:17

Estudo

Haftará: Isaías 54:11 – 55:5

Brit Chadashá: I João 4:1-6

Mishná Yoma: 

Segundas e Quintas:

10 p’sukim
10 p’sukim
18 p’sukim

Guia de Estudo da Parashat Re'eh

A Bênção Que Você Escolhe Ver

 

Repare em um detalhe que passa despercebido em quase toda tradução: “Re’eh” é imperativo singular. “Vê”, não “vede”. A parashá inteira é dirigida à nação reunida no deserto, prestes a atravessar o Jordão, e ainda assim a Torá escolhe o singular. Rashi nota essa escolha e a lê como deliberada: Moshê fala para a multidão, mas cada pessoa recebe a bênção e a maldição como uma decisão pessoal, intransferível. Ninguém vê pelos outros. Essa é a chave de leitura da parashá inteira, e também, como veremos ao final, a ponte para o que vem em seguida no calendário.

O que acontece na porção

Parashat Re’eh ocupa Devarim 11:26 a 16:17 e é, disparado, a porção com mais mandamentos da Torá inteira até este ponto: 55 mitzvot na contagem clássica do Sefer HaChinuch (números 436 a 490). A abertura é direta: “Vê, eu coloco diante de vocês, hoje, bênção e maldição” (Devarim 11:26). A partir daí, o texto trata de:

Destruição da idolatria cananeia e a centralização do culto em um único lugar escolhido por D’us, o que mais tarde seria Jerusalém: nenhum altar paralelo, nenhuma oferta fora do local designado.

Leis alimentares (kashrut): a lista de animais permitidos e proibidos, retomada aqui com mais detalhe do que em Vayikrá.

O aviso contra o falso profeta e a “cidade sedutora” (ir hanidachat): mesmo um sinal que se cumpra não autoriza seguir quem convida à idolatria, e a Torá é explícita que nem o laço familiar mais próximo suspende esse limite.

As leis do dízimo, incluindo o dízimo do pobre, e o ano sabático (shmitá): perdão de dívidas e liberação do escravo hebreu, que não sai de mãos vazias, mas dotado pelo próprio dono (Devarim 15:12-14).

Lo Titgodedu (14:1): a proibição de fazer incisões no corpo ou calvície ritual em luto, a mesma mitsvá que dá origem à Shivá tal como praticamos hoje, e que é o Mandamento da Semana desta parashá.

As três festas de peregrinação (Pessach, Shavuot, Sucot), quando todo homem de Israel deveria “aparecer” no Templo.

Quando no calendário

Historicamente, Re’eh faz parte do segundo discurso de Moshê nas planícies de Moav, no mês de Shevat do ano 2488 (o quadragésimo ano após o Êxodo), semanas antes de sua morte e da entrada do povo na Terra. É Moshê revisando a Torá para uma geração que não viveu o Sinai.

No calendário litúrgico anual, Re’eh tem uma posição estratégica que não é acidente: é sempre a última parashá lida antes de Rosh Chodesh Elul. Em 2026, ela é lida no Shabat de 8 de agosto, e Rosh Chodesh Elul chega cinco dias depois, em 13 de agosto. A Torá coloca a escolha entre bênção e maldição bem na porta de entrada do mês de teshuvá. Não é o texto de preparação para Elul: é o portão.

Guia de estudo

Pshat / Rashi: o singular de “re’eh” já foi mencionado, mas vale insistir: Rashi lê a escolha gramatical como pedagógica. A bênção não é destino de povo, é decisão de pessoa.

Drash-Halachá / Ramban: por que “ver” (re’eh) e não “ouvir” (shemá), verbo que abre tantas outras seções da Torá? A leitura tradicional atribuída a Ramban é que a visão convence de um jeito que a audição não convence sozinha. Bênção e maldição aqui não são promessas para um futuro distante, são descritas como resultado quase imediato e visível da vida observante, algo que se vê acontecer, não apenas se ouve prometido.

Kabalah: a proximidade de Re’eh com Rosh Chodesh Elul não é coincidência de calendário. As quatro letras de Elul formam o acróstico de “Ani LeDodi VeDodi Li, sou do meu amado e meu amado é meu” (Shir HaShirim 6:3), o mesmo verso que descreve a intimidade sem protocolo que caracteriza o mês inteiro. Re’eh entrega a escolha; Elul entrega a proximidade para exercê-la sem cerimônia.

Chassidut: para o tzadik, ensina a leitura chassídica, bênção e maldição não são dois destinos separados, são a mesma realidade vista de duas formas. A escolha de Re’eh não é apenas comportamental, é uma escolha de consciência: que olhos você está usando para ver o que está diante de você.

Mussar: repare onde a parashá coloca as leis de tzedaká e a dotação generosa ao escravo libertado, poucos versículos depois da abertura sobre bênção e maldição (15:7-14). A leitura mussarista é direta: abrir o olho espiritual sem abrir a mão para quem precisa é visão incompleta. Re’eh não termina no “ver” abstrato, termina em ação concreta para o outro.

Este é também o Mandamento da Semana que a Sinagoga está trabalhando nesta parashá: Lo Titgodedu, a própria Torá regulando como não lidar com a morte, para abrir espaço para a forma certa, a Shivá.

A escolha de Re’eh não fecha no Shabat em que é lida. Ela abre a porta para Elul, o mês em que a proximidade não pede protocolo, só presença, e para as Selichot que começam poucos dias depois. Se você quer viver essas semanas de teshuvá em comunidade, e não sozinho, a Sinagoga está reunindo o Calendário do Mashiach para este período. Comente SELICHOT em qualquer um dos nossos posts ou envie mensagem direta para a equipe saber como participar.

A Importância de Parashat Re’eh:

  1. Escolhas e Consequências: Parashat Re’eh enfatiza a importância das escolhas e das consequências que elas trazem. Moisés descreve as bênçãos que virão se o povo de Israel escolher seguir os mandamentos de D’us, bem como as maldições que enfrentarão se escolherem desviar-se do caminho.
  2. Advertência contra a Idolatria: A parashá adverte especificamente contra a idolatria e a adoração de outros deuses. Isso é crucial para manter a pureza da fé judaica.
  3. As Festas Judaicas: Re’eh destaca a importância das festas judaicas, incluindo Páscoa, Shavuot e Sucot. Essas festas não são apenas celebrações, mas também oportunidades para o povo de Israel se reconectar com D’us e Sua Torá.
  4. Caridade e Assistência aos Necessitados: A parashá enfatiza a importância da caridade e da assistência aos necessitados. Ela instrui os judeus a cuidar dos pobres, dos órfãos e das viúvas, demonstrando compaixão e solidariedade.
  5. Lugar de Adoração Único: Re’eh enfatiza a centralidade do Templo de Jerusalém como o único lugar onde as ofertas e os sacrifícios podem ser feitos a D’us. Isso reforça a unidade religiosa do povo de Israel.

Escolhas Pessoais e Coletivas: A parashá destaca que as escolhas feitas tanto em nível pessoal quanto coletivo têm um impacto significativo nas bênçãos ou maldições que a nação enfrentará.

Parashat Re’eh é uma porção da Torá que nos lembra da importância das escolhas em nossas vidas e das consequências que essas escolhas trazem. Ela reforça a necessidade de manter a fé, a ética e a moralidade na comunidade judaica. Além disso, destaca a importância das festas judaicas como momentos de renovação espiritual e a oportunidade de buscar uma relação mais profunda com D’us. Re’eh continua a ser uma fonte de orientação e inspiração para os judeus, lembrando-os de que as escolhas feitas em conformidade com os princípios da Torá resultam em bênçãos e prosperidade.

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Midrashim

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