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Mês de AV - Costumes e Observações

MÊs de AV – COSTUMES E OBSERVAÇÕES 

O mês de Av é, dentro do calendário judaico, um período de luto nacional e introspecção coletiva. Ele está ligado às tragédias que se abateram sobre o povo judeu, especialmente à destruição do Primeiro e do Segundo Beit HaMikdash (Templo Sagrado), ambos ocorridos no dia 9 de Av (Tishá BeAv). Como forma de honrar essa memória e sensibilizar o coração, os sábios instituíram uma série de restrições que vão se intensificando conforme nos aproximamos dessa data.

Uma das proibições mais marcantes é a abstenção do consumo de carne e vinho a partir de Rosh Chodesh Av — o início dos chamados Nove Dias (Tishá Yamim) — até o final do jejum de Tishá BeAv.

Base Haláchica

Essa prática é baseada no Talmud (Tratado de Ta’anit 26b:3), onde os sábios dizem:

“Mi’shenichnas Av, mema’atin be’simchá” – “Quando o mês de Av entra, diminuímos a alegria.”

Com isso, foram instituídas diversas práticas de luto progressivo. A abstenção de carne e vinho aparece principalmente entre os costumes dos Gueonim e é citada nos Poskim (decisores haláchicos), como o Shulchan Aruch (Orach Chaim 551:2-9). A base para isso é que carne e vinho são símbolos de celebração e alegria — ligados diretamente às refeições festivas e ao culto no Templo, onde sacrifícios e libações eram oferecidos.

A Profundidade Espiritual da Proibição

  1. Lembrança do Culto Perdido:
    O vinho e a carne estavam no centro do serviço no Beit HaMikdash. A ausência deles durante esses dias expressa o nosso luto pela perda do serviço sacerdotal. Não há mais korbanot (sacrifícios), não há mais altar, e por isso restringimos alimentos que representavam a presença divina entre nós.

  2. Restrição Sensorial como Expressão de Luto:
    Assim como um enlutado evita prazeres físicos para focar na perda, o povo judeu, como um corpo coletivo, se restringe de prazeres culinários como carne e vinho. Isso serve para sintonizar os sentidos com o sentimento de perda espiritual.

  3. Conexão com o Tikun :
    A Kabalá ensina que cada mês tem uma energia espiritual distinta. O mês de Av representa o auge da destruição causada pelos nossos erros — especialmente a falta de amor gratuito (sinat Chinam) que, segundo os sábios, causou a destruição do Segundo Templo. Ao evitarmos a carne, símbolo de satisfação material, nós voltamos para o tikun interior, nos preparando para a verdadeira reconstrução espiritual que precede a Gueulá (redenção).

Diferença entre Comunidades e MinHaguim (Costumes)

  • Sefaradim costumam ser mais lenientes e começam a evitar carne e vinho somente durante a semana em que começa o Rosh Chodesh e semana de Tishá BeAv. (Yalkut Yosef 551 )

  • Não cortar o cabelo e não aparar a barba  desde o Rosh chodesh Av- Tb.Taani 26b:3

 

  • Ashkenazim seguem o Remá, e evitam carne e vinho a partir de 17 de tamuz.
  • Alguns observam o costume desde 17 de tamuz antecipando o costume da semana em que ocorre o dia 9 de Av:   proibindo cortar o cabelo e lavar roupa, mas se o dia 9 de Av cair numa sexta-feira, na quinta-feira essas ações são permitidas em deferência ao Shabat.

 

    • Mulheres podem cortar o cabelo na semana de 9 de Av.
    • É permitido tanto para mulheres quanto  para homens  pentear cabelo barba na semana que cai 9 de av. Não é necessário tanto rigor quanto a isso. (Yalkut Yosef 551:10 -pág 83)
  • Cortar unhas é permitido em situações de mitsvá como noite anterior ao micvê de uma mulher, bem como na véspera do shabat chazon .

 

Exceções

  • Shabat: Mesmo durante os Nove Dias, é permitido comer carne e beber vinho em honra ao Shabat.

  • Seudat Mitzvá (refeição de um mandamento), como brit milá, pidion haben ou conclusão de um tratado do Talmud (siyum), também permitem carne e vinho.

  • Crianças pequenas (abaixo de bar mitsvá), parturientes, lactantes e pessoas com enfermidades graves, podem ter permissão em certos casos, conforme orientação rabínica.

  • Peixes são permitidos para consumo, mesmo durante esse período.(Yalkut Yosef 551:19 )

Conclusão

A abstenção de carne e vinho a partir de Rosh Chodesh Av não é um mero costume, mas um gesto coletivo de memória, sensibilidade e compromisso espiritual. É uma forma de ensinar a alma a chorar pela ausência da Shechiná, a Divina Presença, e ao mesmo tempo desejar sua volta com mais fervor.

Nos Nove Dias, o judeu se torna mais silencioso, mais reflexivo, mais atento ao que perdeu — para que, quando o Templo for reconstruído, seja também um parceiro digno de habitar uma realidade onde a santidade é palpável.

Que possamos transformar esse luto em esperança, e que se cumpra logo a promessa:

“Transformarei o vosso luto em alegria” (Jeremias 31:13)

 

D’vorah Anavá

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