Hoje é Quarta-feira, 4 Mar. 2026 | 15 Adar, 5786 Parashá da semana: Parashat Ki Tisa Acendimento das velas (SP): 6h:12

As filhas de Tzelofchad:
quando a justiça sobe ao céu

Parashat Pinchás nos apresenta um dos episódios mais notáveis da Torá: a história de
cinco mulheres que, diante de um sistema aparentemente fechado, se levantam com
sabedoria, reverência e clareza — e conseguem o impossível.


Machlá, Noá, Choglá, Milcá e Tirtsá, filhas de Tzelofechad, aparecem em Bamidbar 27:1–11
com um pedido ousado: querem a porção de terra de seu pai, que morreu no deserto sem
deixar filhos homens.


Segundo a lei da época, a herança da terra de Israel passaria apenas aos filhos homens.
No entanto, Tzelofchad não teve filhos — apenas filhas.


As cinco se aproximam de Moshe, de Elazar HaCohen e de toda a liderança e dizem:

“Nosso pai morreu no deserto… por que seu nome deve ser apagado do meio da sua família
por não ter tido um filho? Dá-nos uma porção entre os irmãos de nosso pai.”
— Bamidbar 27:3–4


Moshe, o maior de todos os profetas, não responde imediatamente. Ele leva o caso
diretamente a Hashem. E então ocorre algo extraordinário:

“As filhas de Tzelofechad falam corretamente.” — Bamidbar 27:7


Hashem não apenas valida o pedido como estabelece uma nova halachá (lei):
Se um homem morre sem filhos, a herança deve ser transferida às filhas.


O Talmud (Bava Batra 119b) elogia essas mulheres e diz que eram:

Chachmaniyot — sábias,

Darshaniyot — sabiam interpretar a Torá,

Tzidkaniyot — justas.


Elas não agiram por rebeldia, mas por um profundo senso de responsabilidade espiritual.
Não pediram terras por ganância, mas para preservar o nome e a dignidade de seu pai
dentro do povo de Israel.


Este episódio marca um momento raro em que uma nova lei surge por iniciativa feminina.


E mais: essa nova lei não foi resultado de protesto ou confronto, mas de uma abordagem
respeitosa, argumentativa e fundamentada.
Moshe não se sentiu ameaçado por sua petição — ele a levou até o Céu, e o Céu
respondeu.


Mesmo que a estrutura pareça definida, o que é justo e santo pode — e deve — ser
considerado.


Essas cinco irmãs provaram que a participação feminina na construção espiritual de Israel é
legítima, poderosa e transformadora.


O maior líder da história não teve medo de dizer: “Não sei. Vou perguntar a Hashem.”


As Filhas de Tzelofchad não lutaram contra a Torá.

Elas lutaram dentro da Torá, com a Torá e pela Torá.

E, por isso, a própria Torá respondeu a elas.


Que possamos aprender com sua coragem respeitosa, sua sabedoria silenciosa e sua fé
ativa — e lembrar que a justiça verdadeira nunca é muda. Ela apenas espera o momento
certo de subir até o trono de D’us.

D’vorah Anavá

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