Os sete dias de Sucot – celebrados com a construção de uma sucá, adquirindo as Quatro Espécies e alegrando-se com a festa, são seguidos por Simchat Torá.
As plantas usadas como cobertura para o teto da sucá nos lembram da proteção Divina quando nossos antepassados viajavam no deserto. As Quatro Espécies são uma expressão de nossa unidade e nossa fé na onipresença de D’us. Após os dias solenes das Grandes Festas vivemos estes dias ampliando em alegria.
O primeiro dia é de Yom Tov, quando o trabalho é proibido, velas são acesas ao entardecer e refeições festivas são precedidas por kidush seguido pela chalá mergulhada no mel. Os dias remanescentes são semi feriados, conhecidos como Chol Hamoed. Durante todos os dias de Sucot pronunciamos a bênção sobre as Quatro Espécies.
Uma das mitsvot especiais de Sucot é a mitsvá das Quatro Espécies: Etrog (cidra), Lulav (folha de palmeira), Hadassim (murtas) e Aravot (salgueiros). É um preceito bastante significativo e simboliza a unidade e a harmonia.
Quando são recitadas as bênçãos sobre elas, é costume sacudi-las aos quatro ventos e também para cima e para baixo, significando que D’us está em toda parte.
A tradicional prece Hoshaná (Ó salve!) que é recitada em cada um dos dias de Sucot (exceto Shabat), é acompanhada por uma sequência de movimentos com as Quatro Espécies ao redor da Bimá (mesa onde é colocada a Torá para sua leitura) na sinagoga.
É uma visão bela e impressionante. Podemos ter uma ideia sobre como era antigamente, com milhares e milhares de peregrinos judeus marchando em direção ao Templo Sagrado com lulavim nas mãos, ondulando com a brisa.
A essência da mitsvá do Lulav é segurar as Quatro Espécies juntas na mão. Entretanto, a melhor maneira de cumprir esta mitsvá é balançar o Lulav em direção aos quatro pontos cardeais e também para cima e para baixo, sendo que cada suave chacoalhar do Lulav é constituído de três movimentos.
O Talmud explica o significado desses movimentos: “São movidas para frente e para trás, para Aquele a Quem pertencem as quatro direções; para cima e para baixo para Aquele de Quem são Céus e Terra. Isto significa que as Quatro Espécies são uma alusão a D’us ter criado toda a existência e que não há nada além d’Ele.”
O Talmud também afirma: “Balançá-las para frente e para trás para evitar ventos prejudiciais; e para cima e para baixo a fim de evitar orvalhos nocivos.” Pois Sucot é a época do julgamento da água da chuva para todo o ano.
As Quatro Espécies dão uma expressão simbólica para as preces pela bênção d’água. Ao balançar as Quatro Espécies em todas as seis direções, simbolicamente falamos a Quem sustenta o mundo inteiro: “Da mesma forma que estas Quatro Espécies não podem existir sem água, assim o mundo não existe sem água. E quando o Senhor nos der água, não deixa que vento ou orvalho estraguem Sua bênção.”
Se as Quatro Espécies não estiverem disponíveis pela manhã, é permitido recitar a bênção mais tarde, enquanto for dia.
Ao comer na Sucá recitamos uma benção antes da refeição : Ao ingerir na sucá ao menos 57,6 g de pão ou bolo ou tomar 86 ml de vinho, acrescente a seguinte bênção a bênção do alimento:
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu leshev bassucá.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou morar na sucá.
Baruch Atá Ado-nai Elo-hênu Mélech Haolam Shehecheyianu Vekyiemanu Vehiguianu Lazeman Hazê.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que nos concedeu vida, nos sustentou e nos permitiu chegar a essa ocasião.
Observações:
Na primeira noite de Sucot, as duas bênçãos são incorporadas ao Kidush (conforme descrito no Sidur).
Quem não teve a chance de comer na sucá na primeira noite de Sucot deve recitar Shehecheyanu sempre que surgir a primeira oportunidade.
A benção da sucá não é recitada quando se come na sucá em Shemini Atzeret.
O sétimo dia de Sucot chama-se Hoshaná Rabá, quando se costuma rodear a “bimá” (mesa de leitura da Torá) das sinagogas com as aravot (plural de aravá), a espécie das quatro de Sucot que mais necessita de água para crescer. O costume baseia-se no fato de este ser o principal dia de julgamento do mundo, no ano que se inicia, com relação à água – essencial para a vida humana e demais seres vivos.
Os Sábios escreveram e o Zôhar se estendeu em confirmar que é em Hoshaná Rabá que se encerra de fato o processo judicial carimbado em Yom Kipur. Neste dia, escrevem-se as páginas de sentenças de cada pessoa que são levadas pelos anjos para a aplicação dos decretos nelas contidos. Assim, este é sem dúvida um dia propício para se fazer Teshuvá (arrependimento e conserto).