SHEMIRAT LASHON
A Guarda da Língua

Shemirat Lashon: O Poder das Palavras na Tradição Judaica

Introdução:

A prática da Shemirat Lashon, a guarda da língua, é um dos princípios fundamentais em nossa tradição judaica. Ela nos ensina a sermos conscientes do imenso poder de nossas palavras e do impacto que podem ter em nós mesmos e naqueles ao nosso redor. Neste artigo, exploraremos o significado da Shemirat Lashon, sua origem na tradição judaica e como aplicá-la em nossas vidas para viver de forma moral e ética.

O Significado e a Origem da Shemirat Lashon:

A Shemirat Lashon, ou guarda da língua, é uma prática que envolve o controle e a conscientização sobre o uso das palavras. Ela se baseia na compreensão de que as palavras têm um poder imenso, podendo construir ou destruir, curar ou ferir, unir ou dividir. Esta prática tem suas raízes em ensinamentos bíblicos, como o versículo do Tehilim (Salmos):

Salmos 34:12-14: “Quem é o homem que ama a vida e quer longevidade para ver o bem? Refreia a língua do mal e os lábios de falarem dolosamente. Aparta-te do mal e pratica o que é bom; procura a paz e empenha-te por alcançá-la.”

A expressão “ama a vida” no original hebraico, “chafetz chayim”, significa literalmente “deseja a vida”, destacando a conexão direta entre o cuidado com a língua e nossa saúde física, longevidade e paz. Assim, a Shemirat Lashon refere-se ao estudo, à prática e ao constante cuidado em relação à nossa fala, evitando palavras prejudiciais, difamação, fofocas, mentiras e qualquer forma de comunicação negativa.

O Propósito da Shemirat Lashon:

O propósito fundamental da Shemirat Lashon é promover a bondade, a empatia, a honestidade e a paz, utilizando a linguagem como uma ferramenta para construir relacionamentos saudáveis e fortalecer a comunidade. Ela nos ensina que o controle da língua é essencial para viver de acordo com princípios éticos e morais.

Na perspectiva cabalística, a fala está relacionada ao mundo de Beriah (criação), onde todas as coisas existem como palavras e as palavras têm o poder criativo de trazer à realidade. Portanto, o cuidado com a língua não é apenas uma questão ética, mas também espiritual, influenciando diretamente a qualidade de vida que levamos.

Lições dos Sábios:

Ao longo da história judaica, diversos sábios abordaram o tema da Shemirat Lashon, fornecendo orientações valiosas sobre essa prática. Alguns exemplos notáveis incluem:

  • Rabi Yisrael Meir Kagan, o Chafetz Chayim: Conhecido por seu trabalho abrangente sobre o tema, intitulado “Chafetz Chayim” (Desejador da Vida), ele detalha as leis e ensinamentos éticos relacionados ao uso apropriado da língua. O Chafetz Chayim enfatizou a importância de evitar fofocas, difamações e palavras negativas.
  • Rabi Yaakov Yisrael Kanievsky, o Steipler Gaon: O Steipler Gaon escreveu extensamente sobre a Shemirat Lashon, destacando que o controle da língua é um teste de nossa integridade moral. Suas obras, como “Kehilat Yaakov”, contêm orientações práticas sobre como praticar a guarda da língua no cotidiano.

Conselhos Modernos:

No mundo atual, onde a comunicação é amplamente facilitada por meio das redes sociais e tecnologias digitais, a Shemirat Lashon é mais relevante do que nunca. As redes sociais possibilitam a disseminação rápida de informações e conferem grande poder às palavras nas plataformas online. Portanto, é vital exercer uma atenção redobrada à responsabilidade e ao impacto de nossas comunicações.

Aplicação Prática:

Para aplicar a Shemirat Lashon em nossa vida diária, é essencial desenvolver uma consciência constante sobre o que dizemos e como nossas palavras afetam nossos relacionamentos. Algumas práticas que podem nos auxiliar incluem:

  • Pensar antes de falar: Antes de proferir palavras, é importante pausar e refletir sobre sua intenção, impacto e possíveis consequências. Isso nos ajuda a evitar comentários desnecessários, ofensivos ou prejudiciais.
  • Evitar fofocas e difamações: Devemos abster-nos de falar mal dos outros ou espalhar informações prejudiciais. É essencial não participar de conversas destrutivas e buscar maneiras construtivas de abordar desentendimentos ou problemas.
  • Praticar a empatia: Antes de criticar ou julgar alguém, é importante esforçar-se para entender sua perspectiva e considerar suas circunstâncias. Isso nos ajuda a evitar palavras insensíveis e a cultivar um ambiente de compreensão e respeito mútuo.
  • Promover a verdade e a bondade: Devemos buscar a verdade em nossas palavras e usar a língua para disseminar bondade, encorajamento e apoio. Ser honesto e autêntico em nossa comunicação contribui para relacionamentos positivos.

Conclusão:

A Shemirat Lashon, ou guarda da língua, desempenha um papel vital na ética judaica, incentivando-nos a usar nossas palavras com responsabilidade, bondade e compaixão. Ao praticar a guarda da língua, fortalecemos nossos relacionamentos, promovemos um ambiente saudável de comunicação e contribuímos para a construção de uma sociedade mais justa e harmoniosa. Nosso compromisso de controlar e utilizar nossas palavras com sabedoria é um reflexo de nosso desejo de viver de acordo com os ensinamentos da Torá e aprimorar nossos valores morais e éticos.

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