Hoje é Quarta-feira, 4 Mar. 2026 | 15 Adar, 5786 Parashá da semana: Parashat Ki Tisa Acendimento das velas (SP): 6h:12

Reconhecendo a Soberania de Hashem A Mitzvá das Primícias (Bikurim)

Na Parashat Ki Tavô, a Torá introduz o mandamento de trazer as primícias dos frutos da
terra ao Beit HaMikdash como um ato de gratidão a Hashem.

“E dirás diante de Hashem, teu D’us: Um arameu prestes a perecer foi meu pai, e desceu
ao Egito…” (Devarim / Deuteronômio 26:5)

Esse texto, que mais tarde comporia parte da liturgia do Seder de Pessach, ensina que
trazer as primícias não era apenas um ato agrícola, mas espiritual: uma confissão de que
tudo o que temos vem de Hashem.

Ainda em Ki Tavô, a Torá ordena a separação do dízimo trienal, destinado ao levita, ao
estrangeiro, ao órfão e à viúva.

“Tirei de minha casa as coisas sagradas e também as dei ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, conforme todo o Teu mandamento que me ordenaste…”
(Devarim / Deuteronômio 26:13)

Esse momento era chamado de “vidui ma’asser” (confissão do dízimo), no qual a pessoa
declarava ter cumprido fielmente o mandamento, reconhecendo que sua prosperidade vinha de Hashem.

Sem o Beit HaMikdash e sem a divisão tribal de Israel, não podemos trazer fisicamente
primícias ou entregar o dízimo da mesma forma. Porém, o princípio espiritual continua
válido e pode ser cumprido de algumas formas:

Primícias pessoais – separar o primeiro fruto do trabalho (primeiro salário, primeira
produção, primeiras conquistas) e consagrar a Hashem em forma de tzedaká ou apoio às
instituições de Torá.

Dízimo – separar 10% da renda líquida e destinar para causas de Torá, assistência social e
sustento de famílias necessitadas, em memória do cuidado divino para com os levitas e os
pobres.

Gratidão constante – viver com a consciência de que nada é “apenas nosso”, mas um
presente de Hashem, que confiou em nós como administradores.

Reconhecimento da soberania divina: ao devolver as primícias e o dízimo, proclamamos
que Hashem é o verdadeiro dono de tudo.

Elevação espiritual: dar o primeiro e o melhor a Hashem molda o coração para a humildade e afasta o egoísmo.

Correção espiritual do trabalho humano: transformar o fruto do suor em santidade é uma
forma de reparar o mundo (tikun olam).

“Do Eterno é a terra e tudo o que nela há.”
(Tehilim / Salmos 24:1)

Proteção espiritual: ao separar, a pessoa declara que sua riqueza não é apenas material,
mas protegida pela bênção de Hashem.

Canal de bênçãos: como afirma o profeta:

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro… e vede se Eu não vos abrir as janelas do céu
e não derramar sobre vós bênção sem medida.”
(Malachi / Malaquias 3:10)

Equidade social: o dízimo sustenta os mais vulneráveis, cumprindo o princípio da justiça
social da Torá.

A Parashá Ki Tavô nos lembra que não basta trabalhar e colher: precisamos reconhecer o
Autor da colheita. O dízimo e as primícias são mais do que mitzvot técnicas, são atos de
emuná (fé) e gratidão.

Hoje, ao separar o primeiro e o melhor dos nossos ganhos para a obra de Hashem,
estamos nos conectando com essa mesma espiritualidade, declarando com nossas ações:
“Tudo vem de Ti, e das Tuas mãos Te damos.” (Divrei Hayamim I / 1 Crônicas 29:14)


D’vorah Anavá

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