PARASHÁ

VAYIKRÁ

וַיִּקְרָ

E Chamou

Levítico 1:1 - 5:26(6:7)

1: Lv 1:1 – 1:13

2: Lv 1:14 – 2:6

3: Lv 2:7 – 2:16

4: Lv 3:1 – 3:17

5: Lv 4:1 – 4:26

6: Lv 4:27 – 5:10

7: Lv 5:11 – 5:26(6:7)

Estudo

Haftará: Isaías 43:21 – 44:23

Brit Chadashá: Hebreus 10:1-18

Mishná Yoma: Eduiot 3:12-4:1 a 5:2-3

Segundas e Quintas:

10 p’sukim
10 p’sukim
18 p’sukim

RESUMO

Parashá Vayikrá

Levítico 1:1 – 5:26(6:7)

Resumo

O livro de Vayicrá, também chamado de Torat Cohanim (Livros dos Sacerdotes), relata amplamente os sacrifícios (corbanot) que eram levados ao Mishkan. Essa Parashá fala sobre os diferentes grupos de oferendas e os seusprocedimentos.

Lição Prática

 Está parashá destrincha sobre os corbanot ( sacrificios ), interessante que está palavra tem como raiz uma outra palavra que é “Karov” significa literalmente aproximação; Assim nós entendemos o sentido mais profundo dos corbanot que é aproximar o homem do Criador, hoje não há sacrificios por que estamos sem o templo sagrado, porém, as nossas oracções podem nos aproximar do Criador tanto quanto os sacrificio.

Um exemplo de que oferecemos nossos corbanot diariamente são as rezas que fazemos através do sidur, nele temos diversas rezas e trechos bíblicos que nos explicam a respeito dos sacrificios e nos ensina que Hashem aceita nossas orações como ofertas de touros – ” Soberano do Universo, Tu nos ordenaste que oferecêssemos o sacrifício contínuo no seu tempo determinado e que os sacerdotes oficiassem o serviço, os levitas a seus postos e os israelitas em seus cargos. Mas agora, por causa de nossos pecados, foi destruído o santuário e cessou o sacrifício contínuo, e não temos sacerdote no seu serviço, nem levita no seu posto, nem israelita em seu cargo. Mas Tu disseste: 

“Como oferendas de touros sejam consideradas as orações saídas dos nossos lábios.”(sidur sefaradi pág 25 )

Autor – Rav. Yehoshua Sh’lomoh




“PEGANDO O ANIMAL PELO CHIFRE”

Uma das coisas enigmáticas da Torá é, sem dúvida, a sua obsessão com sacrifícios de animais, que são descritos em pormenor na porção da Torá desta semana Vayicrá. Apesar de não entrar na questão amplamente debatida da moralidade por trás do abate animal, fica a pergunta: Por que a Torá, o plano divino para a vida, acha necessário dedicar centenas de seus versos com as leis de sacrifícios de animais? Como é que as muitas leis de sacrifícios de animais descritas na Torá servem como um roteiro para nossas jornadas pessoais na vida?

Toda lei e episódio registrados na Torá podem ser apreciados não só a partir de um ponto físico e concreto de vista, mas também por uma perspectiva metafísica.

As leis detalhadas de sacrifícios de animais não são exceção. Fisicamente, eles não se relacionam à nossa era presente, mas num nível psicológico e espiritual, essas leis referem-se a uma mensagem atemporal do desafio humano por crescimento.

Todo ser humano possui um animal na sua consciência. Esta dimensão da nossa identidade só busca sua auto-preservação e gratificação. O lado “animal” se pergunta, antes de cada encontro e antes de todo esforço, “o que tem de bom para mim?”

Em contraste tem outra dimensão mais profunda da identidade, uma consciência Divina, um desejo de transcender a si mesmo e se conectar com a verdade e realidade. É uma camada que nos permite amar de forma altruísta e buscar metas mais elevadas e idealistas na vida.

Esta dicotomia inerente à estrutura humana dá origem à luta perpétua existente na psique humana: o conflito entre egocentrismo e auto-transcendência, a disputa entre frivolidade e imoralidade e significado genuíno e espiritualidade. De acordo com a Cabalá, a consciência Divina nasceu neste mundo com o único propósito de aperfeiçoar essa identidade animal interior e a elevar ao plano espiritual.

Cada alma recebeu “sob medida” uma consciência animal como sendo seu aluno especial para os anos que vão passar juntos na terra. A alma Divina tem a missão de educar e sublimar a alma animal, colocando na prática seus potenciais mais profundos. Ela deve tomar uma pedra bruta e transformá-la num diamante.

Quando a alma Divina não cumpre a sua tarefa de cultivar e educar o seu lado animal, o eu animal pode se tornar uma força perigosa. Ele não é inerentemente mau, mas sim meramente egoísta. No entanto, na sua busca incessante de auto-preservação e auto-aperfeiçoamento, ele pode se transformar num monstro, demolindo a si mesmo e outras pessoas no seu desejo bestial de auto-afirmação e gratificação. Um animal tão belo existente em nosso coração pode se transformar num animal selvagem não domesticado que é grosseiro, profano e destrutivo.

É por isso que a Torá é tão enfática com oferendas de animais. Afinal, a nossa principal tarefa na vida é desafiar o nosso próprio animal interior a cada dia, aproximando-o de nosso ser superior, mais profundo e refinado.

Mas como atingir esse objetivo tão difícil?

Essa é a razão para as muitas leis e nuances relativas a oferendas de animais em toda a Torá. Não é uma tarefa fácil refinar o seu lado animal, e diferentes pessoas lutam com diferentes tipos e níveis de ‘animais’. Portanto, a Torá dedica centenas de versos sobre o assunto, orientando os seres humanos em seu caminho para confrontar e lidar com as diversas formas de animais existentes em sua psique.

Geralmente, a Torá afirma que todas as oferendas de animais devem seguir os seguintes quatro passos. Primeiro, você deve declarar verbalmente que está dedicando este animal para se tornar uma oferenda. Em segundo lugar, o animal é abatido, cortando tanto o seu esôfago e traqueia, em terceiro lugar, o sangue era aspergido sobre as paredes do altar situado no Templo Sagrado. Finalmente, as partes da gordura animal são removidos e queimadas com uma chama na parte superior do altar.

O que esses rituais representam no trabalho psicológico do homem sobre o seu lado animal?

O primeiro passo para lidar com o animal em você é a determinação e compromisso de mudar o status  de sua vida e para desafiar a sua identidade animal. Na próxima fase, você deve pegar o touro pelos chifres e exercer total controle sobre sua própria vida e identidade. Para realmente aperfeiçoar o seu animal, você tem que mostrar quem é que manda. Se você deixar o seu animal continuar a viver a sua própria vida, não há esperança para o seu refinamento genuíno.

Particularmente, você deve desafiar a maneira como o seu animal come e bebe, simbolizado pelo corte do tubo de alimentação, e do tipo de oxigênio que inala, simbolizada pela traqueia; tem de alterar tanto a atmosfera que o rodeia e o tipo de informação dada a ele. Na terceira etapa, você leva o sangue do seu animal e o asperge no altar. Isto significa o fato que você nunca deverá destruir o fervor e a paixão de sua alma animal. Em vez disso, você deve santificá-la para D’us Finalmente, você deve tirar a gordura e queimar em cima do altar. Ela representa indulgência e obsessão com o prazer.

Portanto, para aqueles de nós que lutam com tais aspectos semelhantes a animais como a preguiça, raiva, egoísmo, dependência, apatia e desonestidade, as leis de oferendas de animais fornecem um plano escrito para encurralar esses impulsos, quebrando sua selvageria e convertendo-os para um uso Divino.

(Por Yossi Zukin – Em tor@mail.)

Midrashim

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