Hoje é Quarta-feira, 4 Mar. 2026 | 15 Adar, 5786 Parashá da semana: Parashat Ki Tisa Acendimento das velas (SP): 6h:12

Os Espias e a Difamação da Terra de Israel:
Uma Falta de Emunah em Hashem

A narrativa dos espias (meraglim) está registrada em Bamidbar (Números) capítulo 13. O povo de Israel, estava acampado no deserto de parã, a caminho da  Terra Prometida,quando pedem a Moisés que envie homens para explorar o território. 

Hashem permite, mas a iniciativa partiu, segundo muitos comentaristas, do medo do povo, não de um mandamento direto de Deus.

 

Moisés, então, envia 12 líderes – um de cada tribo – para espiar a terra de Canaã. Eles não foram enviados para decidir se Israel entraria, mas para encorajar o povo e trazer estratégias logísticas de entrada. No entanto, o objetivo espiritual se perdeu.

 

Ao retornarem, 10 dos 12 espias trazem um relato amedrontador: falam de cidades fortificadas, gigantes, e declaram: “Não poderemos subir contra aquele povo, pois é mais forte do que nós” (Bamidbar 13:31). O Midrash diz que “mais forte do que nós” (מִמֶּנּוּ) pode ser lido como “mais forte do que Ele”, sugerindo que os espias estavam insinuando que até mesmo Hashem não seria capaz de vencê-los. Isso beira a heresia (minut).

 

Além disso, os espias cometeram um pecado gravíssimo: falaram mal da Terra de Israel. O Talmud (Sotah 35a) ensina que quem fala mal de Eretz Yisrael comete lashon hará (fala difamatória) da Terra Santa – uma entidade sagrada por si só, que “não tolera pecadores” (Vayikrá Rabá 13:2).

 

A reação do povo foi devastadora: “E toda a congregação levantou a sua voz, e o povo chorou naquela noite” (Bamidbar 14:1). Rashi comenta, com base na tradição, que aquela foi a noite de Tishá B’Av, o nono dia do mês de Av – que, por conta desse pecado, se tornaria um dia marcado por destruições futuras, como a queda dos dois Templos.

 

Esse choro foi um choro sem motivo, e Hashem decretou: “Vocês choraram sem causa, Eu darei a vocês motivo para chorarem por gerações” (Taanit 29a). Assim, nasce a associação entre a murmuração e as tragédias subsequentes da história judaica.

 

A fé do povo foi abalada por causa da fala negativa dos líderes. A lição é clara: uma palavra distorcida dos líderes espirituais pode contaminar toda uma geração.

 

Em contraste com os dez espias, Calev e Yehoshua mantêm sua fé em Hashem e dizem: “A terra é muito, muito boa. Se Hashem se agradar de nós, Ele nos levará para essa terra” (Bamidbar 14:7-8). A confiança desses dois representa o verdadeiro papel de um líder: não confirmar os medos do povo, mas guiá-lo com fé e coragem.

 

O Midrash ensina que Calev foi a Chevron orar no túmulo dos patriarcas para resistir à pressão dos demais espias (Sotah 34b). Já Yehoshua teve seu nome alterado por Moisés de “Hoshea” para “Yehoshua”, acrescentando a letra Yud – uma súplica: “Que Deus te salve do conselho dos espias”. 

Como castigo, o povo que saiu do Egito não entraria na terra. Cada dia que os espias andaram em Canaã  virou um ano de peregrinação. A geração que duvidou morreria no deserto, exceto Calev e Yehoshua.

 

Mais que um castigo físico, esse foi um decreto espiritual: quem não tem emunah em D’us não pode herdar a Terra que exige santidade e confiança absoluta.

 

A Torá nos mostra que o uso errado da fala – mesmo por líderes respeitados – pode desencadear tragédias históricas. Mais do que um erro estratégico, os espias cometeram um crime espiritual: semearam dúvidas onde deveria haver fé.

 

A lição permanece para cada geração: a Terra de Israel é mais do que um território – é uma herança espiritual. Falar mal dela é ferir a confiança em Hashem. Por isso, precisamos cuidar da nossa fala, honrar a terra e ensinar a próxima geração a acreditar nas promessas divinas.

D’vorah Anavá 

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