A Lista de Mandamentos da
Parashá Reeh

 

Nenhuma outra parashá até este ponto da Torá concentra tantos mandamentos quanto Re’eh: 55, numerados de 436 a 490 na contagem clássica do Sefer HaChinuch, o texto medieval que organiza as 613 mitzvot na ordem em que aparecem na Torá. Não é lista solta. É um bloco de instrução que a tradição recebeu junto, e que faz mais sentido lido em conjunto do que mitsvá por mitsvá.

Por que 55 mitzvot nesta porção

O Sefer HaChinuch não inventou a contagem, ele a herdou de Rambam e a organizou por ordem de aparição no texto. Re’eh concentra tantos mandamentos porque é aqui que a Torá trata, de uma vez, de quatro áreas inteiras da vida judaica: o culto centralizado, a alimentação kasher, a proteção contra a idolatria e o calendário sagrado. Abaixo, os 55 mandamentos agrupados por tema, não como lista fria, mas com o fio que liga cada bloco.

Culto centralizado e proteção contra a idolatria (436-437, 456-466)

A porção abre destruindo os altares cananeus e proibindo qualquer culto fora do lugar que D’us escolheria, mais tarde Jerusalém. Dentro desse bloco está uma das seções mais duras da Torá: as leis do falso profeta e da “cidade sedutora” (ir hanidachat). A Torá é explícita que nenhum sinal cumprido, nenhum laço familiar próximo, suspende o limite contra a idolatria. É proteção de identidade tratada com o mesmo peso legal que qualquer outra área da vida comunitária.

Culto, ofertas e o segundo dízimo (438-455, 467-472)

Este bloco cobre a obrigação de trazer votos e ofertas à Casa Escolhida, as regras do segundo dízimo (comido apenas em Jerusalém), as leis de kashrut detalhadas (mitzvot 469-472, o que pode e não pode ser consumido) e a proibição de práticas de luto pagãs, como incisões no corpo ou calvície ritual por um morto (467-468, Lo Titgodedu, Devarim 14:1). É esta última que a Sinagoga trabalha como Mandamento da Semana desta parashá: a própria Torá regulando como não lidar com a morte, para abrir espaço para a forma certa, a Shivá. Cumprimento hoje: os sete dias de Shivá, a vela acesa, a roupa rasgada no momento certo, não a automutilação que outras culturas antigas praticavam.

O segundo dízimo, o pobre e o ano sabático (473-483)

Aqui a Torá vira da ritualística para a ética social: o dízimo do pobre, a proibição de “endurecer o coração” contra quem precisa, o perdão de dívidas no sétimo ano e a liberação do escravo hebreu, que a Torá exige sair não de mãos vazias, mas dotado pelo próprio dono (15:12-14). Cumprimento hoje: tzedaká estruturada, não apenas impulsiva, e a recusa em usar o calendário financeiro como desculpa para não ajudar antes do fim de um ciclo.

As três festas de peregrinação (484-490)

O bloco final trata de Pessach, Shavuot e Sucot: o sacrifício pascal, a proibição de comer chamets além do meio-dia na véspera, e a obrigação de “aparecer” perante D’us nas três festas, sem vir de mãos vazias. É o calendário sagrado tratado como mandamento, não como sugestão de tradição.

Guia de estudo

A ordem escolhida pelo Sefer HaChinuch segue a sequência do próprio texto de Devarim, o que significa que estudar as 55 mitzvot de Re’eh em bloco é, na prática, estudar a parashá inteira pela porta da halachá em vez da porta da narrativa. Quem quiser o outro lado da mesma porção, insight de abertura, narrativa e comentaristas camada por camada, encontra no guia completo de Parashat Re’eh.

Cumprir mandamento por mandamento é trabalho de uma vida inteira. Mas há um jeito de começar essa vida em comunidade, e não sozinho: durante Elul e as Selichot, a Sinagoga está reunindo o Calendário do Messias para quem quer transformar o “ver” de Re’eh em prática, ao lado de outros no mesmo caminho de retorno. 

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LISTA:

436; Para destruir a idolatria e seus auxiliares
437; Não destruir as coisas sobre as quais Seu nome, bendito seja, é invocado
438; Aquele traz todos os seus votos no primeiro festival
439; Não sacrificar um sacrifício fora do pátio do Templo
440; O mandamento de sacrificar todos os sacrifícios na Casa Escolhida
441; Para redimir as coisas consagradas sobre as quais se desenvolveu um defeito
442; Não comer do segundo dízimo de trigo fora de Jerusalém
443; Não comer o segundo dízimo do vinho fora de Jerusalém
444; Não comer o segundo dízimo do azeite fora de Jerusalém
445; Não comer um primogênito imaculado fora de Jerusalém
446; Não comer alimentos consagrados de nível superior fora do pátio do Templo
447; Não comer carne de um holocausto
448; Não comer alimentos consagrados de nível inferior antes da aspersão dos sangues
449; Que o sacerdote não coma as primícias antes de sua colocação no pátio do Templo
450; Para não deixar o levita, de lhe dar seus dons
451; O mandamento da matança
452; Para não comer um membro dos vivos
453; Trazer coisas consagradas para a Choice House
454; Não acrescentar nada aos mandamentos e ao seu entendimento
455; Não subtrair dos mandamentos da Torá
456; Não ouvir alguém que profetiza em nome da idolatria
457; Para não amar o sedutor
458; Para não deixar o ódio para com o sedutor
459; Para não salvar o sedutor
460; Não defender a inocência de um sedutor
461; Não se abster de defender a culpa pelo sedutor
462; Para não seduzir ninguém de Israel a adorar a idolatria
463; O mandamento de investigar bem as testemunhas
464; O incêndio de uma cidade seduzida e matar seu povo
465; Para não reconstruir uma cidade seduzida
466; Não se beneficiar da propriedade de uma cidade seduzida
467; Para não nos cortarmos, como os adoradores da idolatria
468; Para não fazer uma careca para os mortos
469; Não comer de animais consagrados que foram desqualificados
470; Para verificar os sinais de um pássaro
471; Para não comer das criaturas voadoras
472; Não comer da carne de um animal domesticado, de um animal selvagem ou de um pássaro que morreu sozinho
473; O mandamento do segundo dízimo
474; Para separar o dízimo pobre
475; Não reivindicar uma dívida que o sétimo ano passou
476; O mandamento de pressionar o estrangeiro
477; Que ele libere todos os seus empréstimos no sétimo ano
478; Para não endurecer seu coração contra os pobres
479; O mandamento da caridade
480; Não se abster de emprestar antes do ano sabático
481; Para não enviar um escravo hebreu vazio
482; Para dotá-lo em sua partida para a liberdade
483; Não trabalhar com coisas consagradas
484; Para não tosquiar a lã dos animais consagrados
485; Para não comer chamets depois do meio-dia
486; Para não deixar de lado o sacrifício festivo para o terceiro dia
487; Não sacrificar o sacrifício de Pessach no bamah de um indivíduo
488; O mandamento de se alegrar nas festas
489; Para aparecer nos festivais na Choice House
490; Para não subir para o festival sem um sacrifício

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