Hoje é Quarta-feira, 4 Mar. 2026 | 15 Adar, 5786 Parashá da semana: Parashat Ki Tisa Acendimento das velas (SP): 6h:12

A Recompensa de Pinchás:
Zelo, Paz e Sacerdócio

A Parashat Pinchás se inicia com um dos episódios mais intensos da Torá. No fim da
Parashat Balak, vemos Israel sendo arrastado para a imoralidade e idolatria por influência
das filhas de Midian e de Moav. No auge do pecado, um príncipe de Israel, Zimri ben Salu,
traz uma mulher midianita — Kozbi bat Tzur — diante de todo o povo, profanando
abertamente o acampamento sagrado.


E então, Pinchás, neto de Aharon HaCohen, levanta-se, pega uma lança e executa os dois
diante de todos. Uma atitude dura. Chocante. E imediatamente… a praga que assolava o
povo cessa.


D’us poderia ter condenado um ato tão extremo.

Mas ao contrário: Ele o recompensa com algo único.

“Pinchás… desviou Meu furor de sobre os filhos de Israel… por isso, eis que lhe dou Minha
aliança de paz ( יתירבּ םוֹלשׁ).” — Bamidbar 25:11–12


Além disso, Pinchás é elevado ao status de Cohen — sacerdote — algo que até então ele
não possuía, apesar de ser neto de Aharon.


Paz e violência parecem opostos. Mas a Torá nos ensina que a paz verdadeira nem sempre
é passiva.
Às vezes, exige coragem para interromper o mal antes que ele destrua tudo.


Pinchás não agiu por ira pessoal, mas por zelo espiritual puro, como Rashi afirma com base
no Midrash:

“Ele viu a situação e lembrou-se da halachá ensinada por Moshe: ‘Quem tiver relações com
uma midianita deve ser morto.’”


O Targum Yonatan complementa:

“Pinchás viu, e não esperou autorização. Agiu pela honra de D’us.”


A “berit shalom” (aliança de paz) foi dada a ele para equilibrar o impacto espiritual de sua
ação — para que sua descendência agisse sempre com zelo, mas revestido de paz.


Embora filho de Elazar e neto de Aharon, Pinchás não era originalmente Cohen, porque o
sacerdócio foi dado apenas a Aharon e seus filhos no momento da consagração (Shemot
28).
Mas após seu ato de santificação pública, D’us o inclui retroativamente na kehuna, como
ensina Rashi (Bamidbar 25:13).


Ele não só se torna Cohen — mas inicia uma linhagem sacerdotal zelosa, que se manterá
até o fim dos tempos. Zelo sem ego é sagrado. A Torá valoriza a firmeza quando ela nasce
da humildade e da reverência.


A assimilação espiritual destrói por dentro.
O pecado de Zimri não era só moral — era existencial. Misturava os fundamentos de Israel
com a idolatria.


A paz verdadeira nem sempre é passiva.
Às vezes, é preciso levantar a voz, defender valores e cortar pela raiz o que corrompe a
santidade.


Pinchás é símbolo do equilíbrio entre justiça e misericórdia.
Ele age com firmeza, mas recebe como recompensa o sacerdócio — que representa
serviço, amor e bênção.
Pinchás nos ensina que não basta ter herança — é preciso coragem para defendê-la.
Que a paz verdadeira não nasce da passividade, mas do zelo pela verdade.
E que o sacerdote não é aquele que apenas conforta —
mas aquele que protege o povo com pureza, mesmo quando isso exige firmeza.


Que sejamos, como Pinchás, pessoas que amam a paz —
mas que também sabem defendê-la quando ela está em perigo.

 


D’vorah Anavá

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